Por Leo Nishihata 13:11 - 10-01-2012
Reunião de cúpula da Nissan, meados de 2011
Chefe: Pois bem pessoal, nós conseguimos. Acabamos de lançar o SUV mais esquisito, estranho e vítima de bullying do mercado. Parabéns a todos, em especial aos nossos designers. O que podemos fazer para consertar essa cagada?
Estagiário (e leitor do Jalopnik): … e se a gente aproveitasse as peças do GT-R para transformar ele no crossover mais rápido de todos os tempos??
O diálogo acima é a única explicação plausível que consigo imaginar para a Nissan investir tempo, dinheiro, engenheiros e propagandas em algo que jamais chegará perto do consumidor ou de um grid de largada – a menos que criem um World Crossover Car Championship semana que vem. E não os condeno, pelo contrário: são maluquices assim que formam o nosso dia-a-dia gearhead.
Depois de exatas 22 semanas de desenvolvimento, os súditos de Carlos Goshn conseguiram adaptar a base mecânica do Nissan GT-R dentro de um Juke. Pelas especificações divulgadas, o motor VR38DETT escolhido para a empreitada é o que equipou o GT-R entre 2007 e 2010, um V6 de 3,8 litros DOHC biturbo com 485 cavalos e 59,9 kgfm – hoje, os novos Godzillas saem de fábrica com aprimoramentos que elevaram estes números para 550 cavalos e 64,4 kgfm.
Além do motor, os conjuntos de câmbio, tração integral e suspensão também vieram do GT-R. Os engenheiros da Nissan na Inglaterra – com a parceria da RML, equipe de competições consagrada na Le Mans Series e no WTCC, onde cuidam dos Chevrolet Cruze que são os atuais campeões – certamente tiveram bastante trabalho na hora de manter inalterados o comprimento e o entre-eixos do Juke, um carro consideravelmente menor que o Godzilla. A única medida que realmente mudou foi a largura, que agora abriga generosas rodas aro 20 de alumínio.
A equipe de desenvolvimento (que deve ter se divertido horrores com o projeto) jura que este monstrinho batizado de Juke-R oferece um handling comparável ao de um supercarro na pista. Não temos muitos motivos para duvidar, principalmente sabendo que a solidez estrutural foi elevada até o limite, graças à uma nova gaiola interna e vários outros reforços no chassi, além de tomadas de ar e aerofólios para grudar o carro no chão. O peso por outro lado subiu bastante, de 1.425 para 1.806 kg.
A aceleração de 0 a 100 km/h em ridículos 3,7 segundos deixa para trás qualquer Cayenne Turbo, X5M ou ML63 AMG, e a velocidade final bate nos 257 km/h, segundo a Nissan limitados pelo arrasto aerodinâmico extra.
Falta só mais uma coisa para que a gente esqueça de vez a feiura do Juke: curtir o carro do lado de dentro, numa pista cheia de curvas – e áreas de escape.
Fonte: Jalopnik Brasil







