Latin NCAP: Esclarecimentos sobre a pontuação nos testes de segurança
A metodologia de pontuação para classificação de segurança do Latin NCAP pode ser confusa para muita gente. Feita pelo instituto, que não tem vínculo com os fabricantes de veículos, por ser independente e privado, a avaliação de segurança automotiva é resumida à quantidade de estrelas que um carro recebe, que vai de 0 a 5. O colaborador Lucro Brasil obteve dados liberados pela entidade e esclarece alguns pontos relativos ao assunto.
O Latin NCAP não informa os pontos de forma individual para impactos frontal e lateral. Por conta disso, geração erro de interpretação, visto que não é possível conhecer os resultados em separado, apenas a soma deles. Eu tive acesso aos dados junto ao instituto e vamos tentar decifrar algumas coisas, mas é preciso ter em mente os números abaixo:
Um carro só é considerado seguro se obter acima de 11 pontos de forma individual.
Pontuação individual = 0 a 1,99 ponto (zero estrela), 2 a 4,99 pontos (uma estrela), 5 a 7,99 pontos (duas estrelas), 8 a 10,99 pontos (três estrelas), 11 a 13,99 pontos (quatro estrelas) e de 14 a 16 pontos (cinco estrelas).
Primeiro protocolo: Impacto frontal = 16 pontos. Total máximo de 16 pontos.
Segundo protocolo: Impacto lateral = 16 pontos + 1 ponto por aviso de cinto de segurança. Total máximo de 17 pontos.
O UN95 é um teste de impacto lateral opcional, que não possui pontuação.
Atual protocolo: Impacto frontal do antigo protocolo (com ligeira mudança na pressão sobre o peito, que não influi muito na pontuação de forma geral) e o impacto lateral do novo protocolo.
Sendo assim, temos: Impacto frontal com 16 pontos, mais impacto lateral com 16 pontos, além de 1 ou 2 pontos adicionais para cintos de segurança dianteiros e traseiros, respectivamente. Dessa forma, o total alcança 34 pontos.
Teste do ESP
Teste do impacto lateral no poste
Agora vamos a pontuação dos impactos frontais e laterais separados (no site da Latin NCAP consta apenas a soma final):
Ford Ranger 3 estrelas (airbags duplos, sem airbags laterais)
Impacto frontal = 13,62
Impacto lateral = 16,00 MAX
Total 13,62 + 16,00 + 1 = 30,62
Renault Kwid 3 estrelas (airbags duplos, com airbags laterais)
Impacto frontal = 9,50
Impacto lateral = 12,35
Total 9,50 + 12,35 + 1 = 22,85
Fiat Mobi 1 estrela (airbags duplos, sem airbags laterais)
Impacto frontal = 11,58
Impacto lateral = 7,62
Total 11,58 + 7,62 = 19,20
Olhando dessa forma separada, fica bem claro a pontuação e a eficiência de acordo com o impacto. O Ford Ranger, mesmo tendo pontuação para 5 estrelas, recebeu 3 estrelas, isso se deve pela ausência do ESP (controle de estabilidade), e não ter airbags de cortina (assim sendo, não foi feito o teste de poste).
Já o Kwid, que também recebeu as mesmas 3 estrelas, porém, não tem pontuação para 5 estrelas, sendo que no caso do impacto frontal tem apenas uma nota bem baixa de 9,50. Fica evidente que não se pode ficar comparando apenas olhando as estrelas.
Constantemente eu friso sobre esse fator, mas não é fácil explicar, e tão pouco o site da Latin NCAP ajuda. Vamos agora ver a pontuação do outro subcompacto, o Fiat Mobi. Mesmo tendo recebido apenas 1 estrela, ao olhar a pontuação é possível observar que se saiu bem melhor que o Kwid em relação ao impacto frontal, porém, foi ruim no impacto lateral.
O Kwid é exatamente o inverso, foi ruim no impacto frontal e bem no impacto lateral. Resumindo de forma mais clara e real, num acidente com impacto frontal, o Mobi é mais seguro que o Kwid, já no impacto lateral é o inverso. Alguns devem estar querendo uma comparação com Chevrolet Onix 0 estrela e Ford Ka 0 estrela.
Não tenho em mãos os dados exatos individuais desses dois modelos, porém, “aproximados’ é fácil obter, já que o novo protocolo não testa impacto frontal (exceto carros que nunca passaram pelo teste frontal nos anos anteriores).
Sim, a Latin NCAP usa o teste frontal do segundo protocolo para somar com o teste do impacto lateral do novo protocolo. Contudo, é bom lembrar novamente (como citei acima) que existe uma pequena mudança na pressão nos peitos entre os protocolos, mas nada que mude a pontuação de forma drástica.
Tal fato pode ser visto nas fotos e vídeos dos impactos frontais do Onix e Ka, ambos estão com as mesmas imagens do teste do antigo protocolo. Portanto, você pode usar a pontuação dos antigos protocolos para uma comparação apenas sobre o impacto frontal.
Considerando isso, para impactos frontais o Onix foi 9,67 e o Ford Ka 11,67. É possível reparar que o Onix teve nota semelhante à do Kwid e o Ka foi bem superior. Então, por que ambos receberam nota zero estrela? A Latin NCAP considera o menor desempenho. E ambos foram um fiasco nos impactos laterais.
E falando em subcompacto, não podemos esquecer do Volkswagen up. Esse recebeu excelente nota para impacto frontal e passou pelo impacto lateral UN95 (sem pontuação). Por não ter sido submetido a pontuação no impacto lateral, a Latin NCAP me disse que não tem como passar um dado correto para fazer uma comparação direta entre os automóveis recentemente testados. Contudo me enviou uma foto comparando a estrutura do up em relação ao Mobi (a velocidade do impacto é igual em ambos os testes laterais).
Existem muito mais coisas para serem explicadas, mas não o farei, pois quanto mais explica, complexo e confuso será. A intenção foi mostrar que não se deve olhar apenas as estrelas. Obviamente que um leitor comum não terá acesso a esses dados facilmente. Agora eu fico imaginando, um consumidor indo visitar as concessionárias com as estrelas em mãos.
Obs: no site da Latin NCAP, a Ford Ranger está com erro de imagem e informação. Até o mês passado estava normal, mas deve ser uma falha do sistema. Importante lembrar que a picape testada é o modelo básico da Argentina, sendo que o modelo brasileiro vem de série com 7 airbags e ESP.
FONTE