Matrizes recebem lucros de US$ 5,6 bi das montadoras no Brasil em 2011

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28 Jan 2012, 16:28

Matrizes recebem lucros de US$ 5,6 bi das montadoras no Brasil em 2011

Setor é o que mais enviou dinheiro ao exterior – e um dos que mais reclamam e pedem incentivos

Pedro Kutney, AB
Da coluna Observatório Automotivo


A julgar pelos lucros que receberam, as matrizes de diversas montadoras não tiveram do que reclamar de suas subsidiárias brasileiras em 2011. Os dados estão fresquinhos, foram divulgados pelo Banco Central na terça-feira, 24 de janeiro: a indústria automobilística no Brasil foi o setor que mais remeteu dinheiro ao exterior no ano passado – à frente até de bancos e empresas de telecomunicações, que ficaram com o segundo e terceiro lugares, respectivamente. Não se trata de números frívolos: foram os próprios fabricantes de veículos que registraram junto ao BC remessas de lucros e dividendos no total de US$ 5,58 bilhões, o maior valor de todos os tempos, equivalente a 19% de todas as operações desse tipo no ano e 36% superior aos US$ 4,1 bilhões de 2010.

Não por acaso, as remessas recordistas de lucros e dividendos das montadoras instaladas no Brasil aumentaram justamente no momento em que as matrizes mais sofrem nos mercados maduros da Europa e América do Norte, e por isso precisam sustentar seus resultados financeiros com o caixa das subsidiárias em países emergentes. O BC não publica a lista de empresas remetentes de dinheiro nem os valores individuais, muito menos as empresas informam qualquer dado sobre o tema, alegando que só divulgam balanços no exterior – mas lá também não se encontram os lucros recebidos de cada subsidiária e assim tudo fica por isso mesmo.

Nada contra o lucro, tudo contra esconder esses números como se tratasse de coisa ilegal. Não é, contudo é no mínimo desconfortável, tendo em vista que as montadoras, em maior ou menor grau, estão alinhadas ao discurso da falta de competitividade brasileira, que torna difícil a vida por aqui, que por isso precisaria ser compensada com generosos incentivos fiscais e financiamento público de investimentos. Os dividendos remetidos mostram que a vida no Brasil pode ser complicada, mas também pode ser altamente lucrativa.

CONCEITO ALOPRADO

É fato que existem problemas de competitividade. Por isso mesmo é surpreendente que, em ambiente tão adverso como pintam as montadoras, as remessas de lucros e dividendos tenham aumentado tanto. Vale destacar que esses resultados foram conseguidos, em sua maioria, com a venda de carros que têm graus de sofisticação e conforto bastante inferiores em comparação com os modelos fabricados nos países de origem das empresas instaladas aqui, porque no País o poder aquisitivo dos consumidores também é menor – ainda que esteja em ascensão. Em tese, são produtos menos rentáveis, que para piorar no Brasil têm uma das maiores cargas tributárias do mundo para competir com a margem de lucro.

Cabe ressaltar, também, que a produção das fábricas brasileiras de veículos avançou muito pouco em 2011, apenas 0,7% sobre 2010 – ou seja, produziu-se quase o mesmo e, ainda assim, foi possível remeter muito mais lucro, US$ 1,5 bilhão a mais do que no exercício anterior.

Portanto, temos no Brasil um caso inusitado, digno de estudos acadêmicos ainda a serem feitos: fabricantes de veículos dizem enfrentar aqui custos altos de toda natureza, fazem produtos considerados de baixa rentabilidade, com alta incidência de impostos, a produção não avança e, ainda assim, remetem lucros bilionários às matrizes.

Além disso, ainda sobra algum para prometer investimentos combinados que já passam de US$ 26 bilhões nos próximos cinco anos, considerando somente os anúncios feitos até dezembro passado. Só lucros generosos – e financiamentos públicos idem – podem justificar a aplicação de tamanha fortuna, para produzir no País novos produtos e aumentar a capacidade de dezoito fábricas de carros e nove de caminhões, além da construção de oito novas plantas de automóveis e seis de veículos comerciais pesados, elevando o número total de unidades de produção das atuais 24 para 38, com capacidade para fazer 6,5 milhões de unidades por ano a partir de 2015.

Por mais aloprado que o conceito pareça, é preciso reconhecer que custo-Brasil e lucro-Brasil são como irmãos siameses, andam grudados, um puxando o outro, mas sempre na mesma direção: para cima, no preço dos carros, relativamente altos em relação ao que oferecem.

O Brasil tem sim problemas de competitividade a enfrentar, mas por certo o lucro não está entre eles. Portanto, não há nenhuma justificativa para aumentá-los por meio das medidas de incentivo ao setor automotivo nacional (ou seria transnacional?), que estão em gestação no governo e podem ser anunciadas em fevereiro. Muito pelo contrário, assim como o País deveria reduzir impostos sobre veículos, as montadoras deveriam dar o bom exemplo de diminuir lucros e incluir mais qualidade tecnológica aos modelos produzidos aqui.
  • US$ 5,6 bilhões

    foi o valor total remetido às matrizes pelo setor automotivo em 2011, recorde histórico e maior montante em toda a economia do país
  • 0,7%

    foi o crescimento da produção de veículos no Brasil em 2011 ante 2010; o total chegou a 3,4 milhões de unidades no ano
  • 36%

    foi o crescimento dos valores remetidos ao exterior em 2011 ante 2010, apesar do pífio aumento na produção
  • US$ 1.647

    foi o valor enviado ao exterior a cada veículo produzido aqui, independentemente de marca, preço local e destino (Brasil ou exportação)
Fonte: AUTOMOTIVEBUSINESS


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28 Jan 2012, 16:57

Abeiva critica alto faturamento das fabricantes instaladas no Brasil

27/01/2012 18:00

Imagem


Alto repasse de capital para as matrizes estrangeiras revela que a concorrência com os importados não afeta tanto as “nacionais”

por Alyne Bittencourt
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José Luiz Gandini, presidente da Abeiva – Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores –, disse, em nota à imprensa, que o lucro que as fabricantes multinacionais instaladas no Brasil repassam às matrizes internacionais vai contra o argumento do governo para o aumento do IPI para carros importados.

Dados divulgados pelo Banco Central, em 2011, revelaram que a indústria automotiva brasileira remeteu US$ 5,58 bilhões – cerca de R$ 9,7 bilhões – para suas matrizes, sendo o setor da economia que mais enviou dinheiro ao exterior no ano passado, deixando para trás os bancos, que ficaram com o segundo lugar. Com os bons índices registrados pelos carros fabricados no Brasil, não haveria, para Grandini, razão para cobrar tarifas maiores dos veículos importados.

Segundo o Ministro da Fazenda, Guido Mantega, a medida serve para proteger os fabricantes nacionais diante do crescimento da concorrência com os importados. Contudo, a parcela de veículos vindos de fora do país é relativamente pequena. Em relação ao volume total de veículos vendidos no Brasil no ano passado – 3,63 milhões de unidades – os emplacamentos de marcas filiadas à Abeiva representaram apenas 5,8% do mercado nacional.

De posse desses dados, o presidente da Abeiva informou que irá reiterar o pedido, já formalizado aos Ministérios da Fazenda; Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; e Ciência e Tecnologia, para revisão do aumento de 30% no IPI para carros importados. Giandini disse que a Associação protocolou uma carta propondo aos três Ministérios que houvesse um limite de 200 mil unidades anuais que seriam importadas com o mesmo IPI cobrado dos carros produzidos no país. Essas unidades representariam apenas 5,6% do mercado nacional (considerando a projeção de venda de 3,52 milhões de veículos em 2012), avaliou Gandini. Vale lembrar que as importadoras ajudam a regular o preço no mercado brasileiro, já que aumentam a concorrência.

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Buzz
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28 Jan 2012, 19:37

Não adianta tentar discutir, o lobby é muito grande.

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rlaranjo
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28 Jan 2012, 20:20

3 mil reais por carro. Tinha condição de enviar muito mais...

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p_h
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28 Jan 2012, 20:24

Tá certo, tem que explorar essa cambada de burro e que não dá valor ao dinheiro para que os países exigentes possam continuar comprando carros baratos e pagando juro de 0.3% ao mês.

A política das empresas em solo nacional é apenas reflexo de como a sociedade brasileira funciona. A maioria dos brasileiros é mal educada, não sabe lidar com críticas ou diferenças, é desonesta por natureza e gosta de tirar vantagem em tudo o que faz. É isso que recebe em troca.

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luiz jorge
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29 Jan 2012, 00:02

Remessa de dinheiro não significa lucro no período.

Reportagem muito sensacionalista e superficial.
Opinião de hater vale tanto quanto o cocô do cavalo do zorro

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Kicksilver
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29 Jan 2012, 02:43

p_h escreveu:Tá certo, tem que explorar essa cambada de burro e que não dá valor ao dinheiro para que os países exigentes possam continuar comprando carros baratos e pagando juro de 0.3% ao mês.

A política das empresas em solo nacional é apenas reflexo de como a sociedade brasileira funciona. A maioria dos brasileiros é mal educada, não sabe lidar com críticas ou diferenças, é desonesta por natureza e gosta de tirar vantagem em tudo o que faz. É isso que recebe em troca.

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