Mais recheado de equipamentos e com traje mais refinado, ele é mais Passat do que nunca - ainda que tenha perdido o Passat do nome
Por Juliano Barata - publicado na edição nº 51 (mar/2012)
Passa das cinco da tarde. É inverno em Mônaco. Alguns raios de sol tentam enganar os sentidos, mas a verdade é mais gelada. O termômetro marca oito graus e o vento intenso do Mediterrâneo faz você pensar duas vezes antes de botar os pés para fora do carro. Mas há algo que me faz ignorar isso a cada túnel cravado nas rochas que beiram o mar: o ronco áspero do V6 3.6 de 300 cv a quase 7.000 rpm. Por culpa dele, repito um ritual estúpido de abrir os quatro vidros, frear, reduzir para a segunda marcha e cravar o pé fundo no acelerador. Eu sou um turista inconveniente. E este é o novo Volkswagen CC.

O blazer virou terno
É um facelift, não custa lembrar. Mas, apesar de a estrutura e o conjunto mecânico permanecerem os mesmos – a única versão que nós teremos é a topo de linha, V6 3.6 com câmbio DSG e tração integral –, o novo pacote do CC sofreu sutil realinhamento de conceito. O Volks ficou mais sério. Abandonou os círculos que compunham os elementos óticos e a grade largou o estilo bocarra e assumiu linhas horizontais, quase idênticas às do Passat sedã. Curiosamente, apesar da maior semelhança na aparência, ele deixou de lado o nome Passat – a ideia, segundo Klaus Bischoff, designer-chefe da marca, foi separar o perfil dos compradores da versão sedã, mais formais, aos do CC, fãs de esportivos. A nova estética deixa o discurso um pouco contraditório, mas não dá pra negar a esportividade da silhueta do CC, que permanece intocada – fora as portas sem molduras em torno dos vidros, o grande charme do carro.
O maior refino não está só nas formas. O Volks incorporou mais forração acústica na cabine, deixando-o mais silencioso – e se você quiser mais quietude ainda, pode optar por vidros dotados de filmes termoacústicos. Faróis bixenônio agora fazem parte dos equipamentos de série, com sistema antiofuscamento opcional. Por fim, o CC fez bom uso da parceria com a Audi, trazendo aquele batalhão de assistentes: Lane Assist (mantém o carro na faixa de rolamento), Side Assist (avisa sobre carros em pontos cegos), Park Assist II (estaciona o VW sozinho, em vagas paralelas e balizas), Front Assist (prepara o carro para frenagens de emergência e até atua sozinho, caso necessário), detector de fadiga, leitor de placas de velocidade... Enfim, é preciso fazer uma barbeiragem cinematográfica para destruir este carro.
A rota da princesa
E eu estava no lugar certo para isso. Neste momento, sigo na Route de La Turbie, uma bela estrada sinuosa e cravejada de grampos – o Mediterrâneo tornou-se uma lembrança 500 metros lá pra baixo. É a estrada onde a atriz/princesa Grace Kelly morreu em 1982. Não sei onde o acidente ocorreu, mas uma longa perna à esquerda, cujo raio fecha bruscamente em ponto cego, próximo a Saint Laurent, seria um bom palpite. Confesso que estava um pouco mais rápido do que devia – e ali, a tração integral (em condição de equilíbrio, 90% dela vai para as rodas dianteiras), combinada ao diferencial XDS (ele freia com sutileza a roda que estiver girando em falso), deixou tudo em casa, sem sustos. Dica: quando você quiser passear sem tanta emoção, selecione o modo dinâmico Conforto – o acelerador fica dócil, o volante perde peso e os amortecedores ficam bem mais macios.
A verdade é a seguinte: o novo CC está mais Audi do que nunca. Sóbrio, com saboroso tempero de esportividade, recheado de equipamentos e assistentes, mas por algumas dezenas de milhares de reais a menos. Quanto valem quatro argolas para você? O carro chega ao Brasil no segundo semestre deste ano.
Fonte: Car and Driver Brasil






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