
O Evoque é um daqueles veículos que se tornam marcantes na história de uma marca. A ideia da Land Rover quando lançou o modelo, no ano passado, era alavancar a sua participação de mercado em todo mundo – geralmente pequena, mas bem lucrativa.
Ao criar um utilitário que viabiliza o luxo e o requinte da linha “top” Range Rover para um público mais abrangente, a fabricante inglesa sabia que iria ganhar volume. Mas a impressão é que nem os executivos da empresa imaginavam uma recepção tão boa.
No Brasil, a história foi parecida. Com cinco meses de mercado, a média mensal de vendas é de 450 carros – em março, foram 596 unidades. Um número muito significativo quando se fala de um automóvel que ronda os R$ 200 mil. E que faz do Evoque o veículo de marca de luxo mais vendido do país, superando todos os modelos de Audi, BMW, Mercedes e Volvo.

No embalo do Evoque, a Land Rover saiu de uma média de 640 unidades vendidas por mês no Brasil para quase 800 exemplares. Esse crescimento superior a 20% até poderia ser maior, não fosse uma já esperada “canibalização” do resto da linha.
O Freelander foi o mais atingido. Com preço parecido e uma proposta bem menos sedutora, viu suas vendas caírem em 70%. Até o “grandão” Discovery foi afetado e perdeu metade das vendas. Mas o que vale mesmo é crescer as vendas totais e a lucratividade.
Os principais rivais, por sinal, são da BMW. O preço do Evoque o situa entre o X1 e o X3, apesar da proposta mais requintada o aproximar do modelo maior. E as vendas dos SUVs da marca alemã também revelam o “efeito Evoque”. Em 2011, acumularam respectivamente médias de 414 e 24 unidades mensais. Neste ano, caíram para 234 e 16 carros por mês.

O sucesso do Evoque tem muito a ver com a proposta inovadora. O desenho moderno e ousado difere de tudo que a Land Rover já tinha feito em termos de design. Boa parte já havia sido antecipado no conceito LRX, apresentado no Salão de Paris de 2008.
O interior foi trabalhado para ficar mais atual. Até a ex-Spice Girl e mulher do jogador David Beckham, Victoria Beckham, fez parte da equipe que desenhou a cabine. Tudo para conseguir conquistar um público totalmente novo para os Range Rover.
Mas nem tudo é mudança de paradigma para o Evoque. Para preservar a habitual competência off-road, a Land Rover não inventou. Manteve uma suspensão comum, de uso urbano, sem grandes inovações, mas usou o Terrain Response, sistema que altera as características de suspensão, motor, transmissão e regime de giros do carro para se adaptar a pisos e situações pré-definidas.
Além dos já conhecidos acertos para neve, lama e areia, o Evoque traz um modo esportivo. Ainda nos atributos off-road, existem controles para descida de ladeira e outro que segura o carro nas subidas, para que ele não retroceda quando se tira o pé do freio.

A lista tecnológica do Evoque ainda vai longe. A suspensão, por exemplo, tem amortecedores magnéticos, com dois níveis de rigidez. Na versão topo de linha, equipamentos geralmente exclusivos apenas para os Range Rover completos também estão disponíveis.
É o caso da tela Dual View, que permite que motorista e passageiro assistam coisas diferentes ao mesmo tempo no monitor, e o sistema de cinco câmaras que revelam os 360º do entorno do veículo. Ainda existem sete airbags, controles de tração e de estabilidade, assistente de partida em ladeira, bancos elétricos com memória e freio de estacionamento eletrônico.
Em termos mecânicos, a Land Rover mostra bem o que quer com o Evoque no Brasil. Importa apenas a versão com o motor 2.0 turbo e injeção direta a gasolina, que rende 240 cv e 38,7 kgfm de torque. Na Europa existe o mesmo propulsor a diesel que o Freelander usa por aqui.
Ou seja, deixa para o Freelander uma imagem mais rústica e aventureira. Enquanto isso, o Evoque desfila garbosamente no seu habitat natural: o asfalto. Lama, só quando necessário – mas sem temor. Como se espera de um legítimo Land Rover.

Ponto a ponto
Desempenho – Basta uma pisada leve no acelerador para perceber a disposição do motor turbo de 2.0 litros do Evoque. A turbina entra logo em ação e permite que a faixa de torque máximo apareça em rotações bem baixas. Em uso normal, o desempenho se destaca em comparação com os outros carros na rua. Quando se pisa fundo e é necessária uma pitada extra de esportividade, o Evoque também não decepciona. O motorista sente as costas colarem nos confortáveis bancos e o ponteiro do velocímetro sobe com vigor. A aceleração de zero a 100 km/h em 7,6 segundos e a relação peso/potência de 6,64 kg/cv mostram bem como este SUV tem ânimo para correr. Nota 9.
Estabilidade – É impressionante a maneira com que o Evoque gruda no chão nas mais variadas situações. Nas retas, a direção é precisa e não há qualquer sinal de flutuação. Em curvas, o comportamento do carro muda de acordo com a escolha no Terrain Response. No modo normal, o sistema permite alguma rolagem da carroceria, mas ainda assim mantém uma excelente aderência. Com acerto esportivo, no entanto, o Evoque fica mais furioso e oferece comportamento dinâmico que se aproxima ao de um sedã. O centro de gravidade mais baixo que a maioria dos SUVs ajuda ao modelo inglês a ser um veículo extremamente prazeroso de dirigir. Nota 9.
Interatividade – O Evoque tem diversos sistemas que auxiliam o motorista a fazer quase tudo. As câmaras externas que monitoram os 360º do entorno ajudam na hora de estacionar ou até quando for encarar um off-road mais pesado. A tela central com o Dual View – onde motorista e carona podem ver coisas diferentes ao mesmo tempo – é outro item cativante. O volante é cheio de botões que controlam o rádio e ainda conta com as borboletas para mudança de marcha. O câmbio, por sinal, tem alavanca pouco comum, mas de uso muito simples. Uma das raras falhas é mais um “efeito colateral” do estilo traseiro inspirado nos cupês. O vidro traseiro é muito pequeno e dificulta a retrovisão. Nota 9.
Consumo – A Land Rover fala em um consumo de 11,7 km/l, mas o computador de bordo acusou algo bem diferente. Foram decepcionantes 6,4 km/l em um trajeto misto. Nota 6.

Conforto – Os bancos dianteiros estão mais para poltronas e deixam os dois ocupantes com alta dose de conforto. Atrás, no entanto, o Evoque é refém do design. O teto baixo dificulta bastante a vida dos mais altos. A suspensão magnética filtra muito bem as imperfeições do piso e não há qualquer tipo de batidas secas ou grandes solavancos sentidos no interior. Nota 8.
Tecnologia – A plataforma do Evoque é a mesma do Freelander 2, de 2006, e é relativamente moderna. Mas o resto impressiona. O motor é novo – apesar de ter consumo alto –, o câmbio é eficiente e a tração é integral. A mecânica ainda é apurada com a suspensão com amortecedores magnéticos, que mudam de consistência conforme a necessidade. O Terrain Response dá conta de trajetos off-road severos, sem a necessidade de reduzida ou de motorização diesel. A lista de equipamentos é absolutamente completa. Existem diversos itens de conforto, como bancos elétricos e ar-condicionado multi zonas, além de um rádio completo, GPS e câmaras espalhadas pelo carro. Nota 10.
Habitalidade – O Evoque até tem bons acessos, mas o teto baixo dificulta um pouco a entrada no utilitário – outro “preço” a se pagar pelo estilo. Além disso, a cabine não reserva muito espaço para quem vai atrás. Não dá para levar três adultos em viagens longas com tanto conforto. Lá dentro, há uma quantidade decente de porta-objetos para espalhar objetos pessoais. O porta-malas tem 420 litros, menos do que um sedã médio. Nota 7.
Acabamento – Apesar de ser o “baby” Range Rover, a Land Rover não economizou no acabamento do Evoque. Em todo lugar que se olha, existem materiais de altíssima qualidade e perfeição na montagem. O painel é todo revestido em couro, assentado sobre uma abundante camada de espuma. O cliente ainda pode escolher se quer o acabamento interno em madeira – de duas cores diferentes – ou de alumínio escovado. Nota 9.

Design – Não dá para ficar anônimo ao volante do Evoque. As linhas retas ascendentes na lateral, o conjunto óptico na dianteira e os outros detalhes na carroceria fazem do modelo um dos carros mais instigantes à venda hoje em dia. Traz um visual moderno, mas que incorpora algumas características clássicas dos Land Rover, como a grade dianteira. É um carro com jeito de conceito. O único risco é que tanta ousadia estética pode deixar o Evoque velho muito rápido. Por enquanto, parece não ser o caso. Nota 10.
Custo/benefício – Não dá para negar que o Evoque é um carro caro. Completo, com direito a tudo que pode ter, ele vai a R$ 250 mil. Mas, mesmo assim, é um preço competitivo – no caríssimo mercado brasileiro – para o que oferece. O modelo inglês entrega muito para o seu comprador, tanto em termos de equipamentos, dinâmica e tecnologia, como em termos estéticos. Os concorrentes também são mais caros. O BMW X3 parte de R$ 211 mil, mas completo vai a R$ 275 mil, enquanto o Audi Q5 sai de R$ 212 mil e vai a R$ 266 mil com motor V6. Nota 7.
Total – O Land Rover Range Rover Evoque Prestige Tech Pack somou 84 pontos em 100 possíveis.
Impressões ao dirigir - Além das aparências
Nas ruas, o Evoque se destaca. Todas as linhas são harmônicas e convergem em um carro de design bem distinto e moderno. Se não fosse a inscrição sobre a grade dianteira, seria difícil apontar que esse é um representante da família mais nobre da Land Rover, geralmente caracterizada por desenhos tradicionais e pouco ousados.
Sensação que muda drasticamente quando se passa ao interior. O desenho também é inspirado, mas é a escolha dos materiais que impressiona. Couro, alumínio escovado e madeira estão espalhados em toda a cabine – e sem economias.
Claro que o espaço interno não é tão vasto como o do topo de linha da marca inglesa, o imenso Range Rover Vogue. Além da plataforma menor, o desenho do Evoque limita consideravelmente o espaço atrás. Adultos podem sofrer para entrar no utilitário ou para se posicionar em viagens mais longas. Ao menos, os confortáveis bancos deixam os corpos bem apoiados.

Nesta versão topo de linha, a Prestige Tech Pack, a lista de equipamentos é outro item que se destaca. Além do trivial em um carro desta estirpe – como ar-condicionado, airbags e controles de segurança –, o Evoque traz alguns mimos vindos direto de um filme de ficção científica.
É o caso do sistema de cinco câmaras que monitora todo o entorno do veículo. E o seu uso vai muito além de impressionar os vizinhos invejosos. É ótimo para manobrar, passar por cruzamentos perigosos, visualizar pontos cegos e ajuda a superar obstáculos off-road. A tela central de 8 polegadas ainda tem a tecnologia Dual View, que permite que motorista e carona vejam imagens diferentes no visor.
Além do mérito de trazer algumas qualidades presentes nos seus clássicos e caros modelos para um SUV mais prático – e menos custoso –, a Land Rover também foi bem no acerto dinâmico do carro. O motor é muito competente.

Com 240 cv e 38,7 kgfm de torque, as arrancadas são vigorosas e qualquer ultrapassagem é mera questão de – pouco – tempo. Os giros sobem rapidamente e o ruído não invade a cabine, mesmo em velocidades elevadas. A transmissão é competente, mas é muito comum para um carro que traz tanta tecnologia embarcada.
O rodar do Evoque é outro aspecto que merece elogios. A suspensão absorve as pancadas com muita competência. E, quando se provoca, o “baby” Range Rover responde na mesma moeda. Com a ajuda de diversos itens eletrônicos, a carroceria pouco rola e o motorista conta com controle completo do carro em todas as situações.
Se for necessário, o botão Sport ainda deixa tudo mais divertido. Além de endurecer a suspensão e deixar a dupla motor/transmissão mais esperta, altera a iluminação do painel de instrumentos para um “nervoso” vermelho. Quase uma afronta aos tradicionalíssimos elementos que caracterizavam os Range Rover.

Ficha técnica - Land Rover Range Rover Evoque Prestige Tech Pack
Motor: A gasolina, dianteiro, transversal, 1.999 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro, duplo comando no cabeçote e turbocompressor. Acelerador eletrônico e injeção direta de combustível.
Transmissão: Câmbio automático com seis marchas à frente e uma a ré. Tração integral e possui controle eletrônico de tração.
Potência máxima: 240 cv a 6 mil rpm.
Aceleração 0 a 100 km/h: 7,6 segundos.
Velocidade máxima: 217 km/h
Torque máximo: 38,7 kgfm entre 1.900 e 3.500 rpm.
Diâmetro e curso: 87,5 mm X 83,1 mm. Taxa de compressão: 10,0:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com amortecedores magnéticos. Traseira independente do tipo Multilink com amortecedores magnéticos. Oferece controle de estabilidade.
Freios: Discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira.
Pneus: 225/65 R17
carroceria: Utilitário esportivo em monobloco com quatro portas e quatro lugares. Com 4,35 metros de comprimento, 1,96 metro de largura, 1,60 metro de altura e 2,66 metros de entre-eixos.
Peso: 1.595 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 420 litros.
Tanque de combustível: 70 litros.
Produção: Liverpool, Inglaterra.
Lançamento: 2011.
Itens de série: Sensor de estacionamento com câmara de ré, sensor de chuva, trio elétrico, retrovisores externos rebatíveis eletricamente, bancos dianteiros elétricos com memória, faróis de halogênio, assistente de partida em ladeira, Terrain Response, rodas de liga leve de 17 polegadas, ar-condicionado dual-zone, retrovisor interno eletrocrômico, revestimento de couro, iluminação interna, controle de estabilidade e de tração, cruise control, controle de descida em ladeira, freio de estacionamento elétrico, ABS, airbags frontais, laterais, de cortina e para o joelho do motorista, sistema de entretenimento com tela sensível ao toque de 8 polegadas com Dual View e sistema de câmaras de 360º.
Preço: R$ 249 mil.
Por Auto Press
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PS 1: Tijolo, mas com fotos.
PS 2: Carro de dondoca? :fuckthat: :fuckthat: :fuckthat:











