
Quais são os critérios para definir a beleza de um automóvel? Design, estilo ou a elegância de suas formas? A resposta pode ser um pouco de tudo isso, e alguns carros realmente têm algo a mais. No caso do Jaguar E-Type, a parte mais surpreendente da história foi a frase dita por Enzo Ferrari logo após o lançamento: “O carro mais bonito já produzido”.
O E-Type – também conhecido como XKE no mercado norte-americano – foi apresentado ao público no Salão de Genebra de 1961. Moderno, esguio, esportivo e com desempenho brutal, rapidamente se tornou um símbolo do orgulho inglês na excelência da produção de automóveis.
Particularmente a vontade de conhecer esse modelo ficou na minha mente quando ainda era criança, por volta de sete ou oito anos. O comercial da Pirelli mostrava o felino acelerando e depois freando, com destaque para o jogo de pneus. Procurei essa propaganda por um bom tempo no Youtube, mas ainda não encontrei.

A primeira geração do mito utilizava o motor de seis cilindros em linha, com 3,8 litros, 255 cv, três belíssimos carburadores SU e toda a magia de um ronco magnífico. O carro fez sucesso instantâneo e conseguiu associar a sua imagem a um toque de nobreza.
O clássico dessa matéria é um representante da terceira geração, lançada em 1971. Essa série é um pouquinho maior do que a primeira, mas nada que gere grandes diferenças. Confesso que o encontro frente a frente com esse objeto de desejo antigo fez o coração bater mais forte quando a capa foi retirada.
Mesmo no final da linha – que acabaria dois anos mais tarde – o modelo é inspirador e parece pronto para dar um salto, assim como o similar do mundo animal. Suas linhas sugerem aerodinâmica e velocidade, sem falar das rodas raiadas de cubo rápido, que são a cereja do bolo para chegar próximo da perfeição.
Na traseira as lanternas são bem maiores e até um pouco deselegantes se comparadas ao estilo original, mas a visão do escapamento com quatro saídas compensa tudo isso. Um ponto forte é a visibilidade, seja pelos espelhos laterais ou mesmo dando uma rápida olhada para trás.
Hora de sair. Girando a chave ouvi a sinfonia do motor V12, um monstro que ocupa toda a frente do carro, que tem 5,3 litros e despeja 275 cv de força no asfalto, deixando marcas de borracha como as garras de uma pantera raivosa. Algumas pisadas e a carroceria balança, juntamente com o urro dos escapamentos. Coisa linda de ouvir.
A posição de dirigir é confortável, apóia bem o corpo e a visão sobre o capô é digna de um filme norte-americano. Aliás, andando pela rua é possível notar que a frente chega antes (isso, claro, em qualquer carro), mas de forma diferente, como uma proa que vai apontando para o caminho certo.
Esse exemplar traz a transmissão automática, com o barulho muito peculiar – seguido de um tranco – a cada mudança de posição no console. Em baixas rotações ele segue ronronando, atraindo olhares curiosos e até mesmo algumas fotografias eventuais (isso porque o carro é prata, hein?).
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Até hoje ainda é bastante. 
















