Volta Rápida: Lexus NX 200t “relança” a marca mirando no Evoque
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CarPlace | Publicado em
Tue, 17 Mar 2015 22:30:06 +0000
A Lexus está oficialmente no Brasil desde 2012, mas é capaz que você ainda não tenha visto nenhum rodando por aí. Calma, não foi só você: as vendas totais da marca, concentradas em somente duas revendas na capital paulista, foram de apenas 240 unidades durante todo o ano de 2014. Ainda pouco reconhecida na briga contra os alemães e com uma linha que não é das mais recentes, a marca de luxo da Toyota estava à espera de um empurrão. A chegada do crossover NX 200t pode (e deve) mudar essa história. Com design bem trabalhado, muito refinamento e a mira apontada para o Evoque, a Lexus pretende passar das 20 vendas mensais para 100, sendo 80 do NX. Vamos conhecê-lo?
O que é?
Apresentado pela primeira vez no Brasil durante o Salão do Automóvel do ano passado, o NX é um Rav 4 que tomou um banho de loja (na Oscar Freire). Partindo da plataforma do SUV da Toyota, devidamente reforçada e ajustada ao modelo premium, o crossover da Lexus ganhou visual mais agressivo e rico nos detalhes, além de um interior muito mais caprichado, dos materiais utilizados aos equipamentos oferecidos. Também se diferencia pelo conjunto mecânico, que traz um novo motor 2.0 turbo e câmbio automático de seis marchas (o Rav usa um 2.0 ou 2.4 aspirado e câmbio CVT), além da tração integral.
Uma curiosidade a respeito deste novo 2.0 turbinado é ele usar o ciclo Otto-Atkinson, na verdade um Atkinson simulado pelo comando de válvulas variável com gerenciamento eletrônico. No caso, a ECU faz com que as válvulas de admissão fiquem abertas durante a compressão, fazendo com que esta etapa seja mais curta que a normal. Desta forma, há menos mistura ar-combustível admitida na compressão, com ganhos no consumo de combustível. O desempenho, porém, sai prejudicado – tanto que este ciclo costuma ser utilizado em híbridos, como o Fusion Hybrid. Ou seja, é um tanto estranho encontrá-lo num crossover de pretensões esportivas como o NX 200t.
A potência de 238 cv, então, pode ser considerada modesta dada a modernidade do motor – o Evoque, surgido em 2012, extrai 240 cv de seu 2.0 turbo. Já o torque de 35,7 kgfm é o mesmo de um Golf GTI, entregue de 1.650 a 4.000 rpm. O que também pode ser considerado conservador diante do rival da Land Rover é o câmbio automático de seis marchas, enquanto o Evoque já usa uma caixa de nove velocidades – ambos com borboletas na direção para trocas manuais.
Ao entrar no novo Lexus, encontramos uma cabine chique e estilosa. O conjunto de painel e volante salta aos olhos, e os bancos dianteiros com ajustes elétricos são bastante aconchegantes. Nesta versão F-Sport que avaliamos, há couro preto com costura vermelha cobrindo praticamente todas as partes do painel, deixando-as bem macias. No centro do console há uma espécie de mouse pad sensível ao toque (touchpad), que você pode usar para comandar a central multimídia, o sistema de som ou o GPS, por exemplo. O NX F-Sport também vem com uma opção extra no seletor de modos de condução, o Sport + (que aumenta a rigidez dos amortecedores), além de um head-up display com informações do velocímetro, conta-giros e marcha engatada espelhadas no para-brisa bem à frente do motorista.
As formas mais dinâmicas da carroceria reduziram sensivelmente o espaço interno na comparação ao Rav 4, especialmente no banco traseiro, ainda assim com vantagem sobre o Evoque. Há boa área para as pernas, mas o teto é um tanto baixo, a ponto de minha cabeça raspar no forro do teto-solar panorâmico (tenho 1,78 m). O porta-malas de 480 litros é apenas razoável para o tamanho do carro, mas vem com abertura/fechamento elétrico da tampa.
Como anda?
O Evoque ainda estava fresco na minha memória (tinha dirigido um por alguns dias duas semanas antes) quando cheguei à pista da Fazenda Capuava, no interior paulista, para avaliar o NX 200t. Da última vez que vim aqui andar num SUV esse carro era o Cayenne GTS, o que me fez imaginar o quão esportivo poderia ser o novo Lexus.
O primeiro contato visual é realmente impactante, pelas formas agressivas da dianteira e traseira. A frente tem uma grade invocada e um conjunto óptico formato por duas peças, o farol principal full LED e um feixe de 80 LEDs para iluminação diurna – tudo com desenho bem arrojado, de linhas vincadas. A traseira faz um espelho da frente, sendo possível enxergar o mesmo formato da grade na tampa do porta-malas, enquanto as lanternas também são rasgadas para as laterais como os faróis. A versão F-Sport adiciona desenho exclusivo para as rodas aro 18″, retrovisores na cor preta e grade tipo colmeia, além da pedaleira de alumínio.
A posição de dirigir é elevada, mas o motorista não chega a ficar nas alturas – o que é bom -, enquanto o volante de três raios é tão bonito de ver quanto bom de pegada. Dá para notar novamente o desenho da grade no formato da parte central do painel, bem como o extremo bom gosto a bordo. Particularmente, achei a cabine mais bacana que a do Evoque, em termos visuais e de ergonomia. Em acabamento eles se equivalem, mas no Lexus os bancos são mais macios, já antecipando o que vamos encontrar ao rodar.
Dou a partida no motor pelo botão e o silêncio permanece. Ainda que tenha dupla saída de escape, o NX é silencioso que só ele. E não há o esperado empurrão do turbo nas saídas. O novo Lexus ganha velocidade sem dificuldade, mas não empolga, o que me faz crer que os 7,2 s declarados na aceleração de 0 a 100 km/h são um tanto otimistas (aguardaremos nosso teste completo). Para completar, a rodagem é suave mesmo ao usar o modo Sport+ de condução, aquele que aumenta a carga dos amortecedores.
Algumas voltas na pista e algumas conclusões: o NX não é um Evoque japonês, como pensei no começo. Pelo contrário, ele ataca numa frente oposta ao Land Rover, oferecendo mais conforto e sofisticação, mas com menos esportividade. Não que dirigir o NX não seja prazeroso, é sim, mas de uma forma menos conectada que no Evoque. O novo Lexus preza pela maciez da suspensão, silêncio a bordo e suavidade nas mudanças de marcha, sem pancadas mesmo nas trocas manuais (ele não aceita reduções com o giro alto). Interessante é o visor central do painel mostrar um gráfico de força G para acelerações, frenagens e curvas, além de um desenho que ilustra o funcionamento do turbo.
Destaque também para a direção, bem direta para um SUV, e para a dinâmica até divertida – “atrapalhada” por um ESP zeloso ao extremo. Nas curvas mais fechadas, o NX não sai espalhando a frente como seria esperado. Ele aponta bem a dianteira e a traseira acompanha rápido, com direito a sobre-esterço (aí o ESP trava tudo), como se a tração fosse mais traseira. Não é: o sistema de tração integral do NX prevê 100% da tração nas rodas dianteiras em condições normais, passando até 50% para trás de acordo com a necessidade.
Nas voltas seguintes vi que não adiantava forçar muito o NX nas curvinhas, ele não nasceu para andar em autódromo. Mas, ao mesmo tempo, ele é muito bom para uma tocada expressa, sem ser agressiva. A carroceria tem inclinação moderada e os freios aguentaram os maus tratos durante horas (com alguns sinais de fading, apenas). Fico na expectativa de dirigi-lo fora da pista, pois ele deve ser uma delícia em nossas ruas de piso lunar.
Quanto custa?
Como dito no início, caberá ao NX 200t fazer praticamente um relançamento da Lexus no Brasil. Trata-se do produto mais agressivo em termos de mercado nacional até agora para marca. Tanto que a estratégia de venda prevê usar também algumas concessionárias da rede Toyota para os carros da Lexus, além da inauguração de lojas nas principais capitais do país. Com a chegada do crossover e esse novo posicionamento, a empresa espera quintuplicar suas vendas por aqui.
O preço do NX 200t parte de R$ 216.300 (pouco menos que o Evoque Prestige, de R$ 219.100) já com uma ampla gama de equipamentos de série: três modos de condução (Eco, Comfort e Sport), sistema multimídia com GPS, Bluetooth, DVD player e TV digital, partida por botão, teto-solar, ar digital de duas zonas, faróis full LED, bancos dianteiros com ajuste elétrico e memória, assistente de partida e descida de rampas, tampa do porta-malas com abertura/fechamento elétrico e 10 airbags – sendo dois para os joelhos do motorista e passageiro da frente.
Passando à versão F-Sport, o preço sobe para R$ 236.900 (brigando com o Evoque Dynamic, de R$ 227.200). O pacote agrega rodas de desenho específico, bancos de couro vermelho e preto, acabamento de aço escovado no painel (em oposição à madeira do modelo “básico”), head-up display e o modo Sport+ de condução com amortecedores reguláveis.
Com muito estilo e qualidade, o novo crossover japonês não é tão esportivo quanto aparenta, mas encanta pelo conjunto. Ainda que não tenha volume para rivalizar com o Evoque em números de venda (o Land Rover é disparado o carro de luxo mais vendido do Brasil), a Lexus não podia ter modelo melhor que o NX 200t para começar a aparecer em nossas ruas.
Por Daniel Messeder, de Indaiatuba (SP)
Fotos Estúdio Malagrine/Divulgação
Ficha técnica – Lexus NX 200t F-Sport
Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16 válvulas, 1.998 cm3, injeção direta, turbo e intercooler, gasolina;
Potência: 238 cv a 5.600 rpm;
Torque: 35,7 kgfm de 1.650 a 4.000 rpm;
Transmissão: câmbio automático de seis marchas, tração integral;
Direção: elétrica;
Suspensão: independente McPherson na dianteira e multibraços na traseira;
Freios: discos ventilados na dianteira e sólidos na traseira, com ABS;
Rodas: aro 18 com pneus 235/55 R18;
Peso: 1.850 kg;
Capacidades: porta-malas 480 litros, tanque 60 litros;
Dimensões: comprimento 4.630 mm, largura 1.845 mm, altura 1.645 mm, entreeixos 2.660 mm;
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