Do CarPlace | Publicado em Mon, 18 May 2015 22:30:00 +0000

Lá se vão quase 20 anos desde que o primeiro Audi TT fez sua primeira aparição pública, ainda em forma de conceito, no Salão de Frankfurt de 1995. O teto em forma de arco, os para-lamas destacados e as linhas gerais eram tão avançadas para a época que permanecem até hoje nesta terceira geração que o Brasil está recebendo agora – e ainda assim o cupê da Audi parece futurista. Mas se o resultado impressiona esteticamente, o que dizer da dinâmica? A primeira geração foi criticada neste aspecto e a segunda lembrava muito o A3. Pois fomos tirar a prova do novo TT na Via Lagos, estrada que leva à Búzios, no Rio de Janeiro.
O que é?
Este TT de terceira geração é mais um a nascer sobre a multi-arquitetura MQB do Grupo Volkswagen, a mesma base que dá vida ao A3 e ao Golf. Uma das premissas desta plataforma é o baixo peso, o que aliado ao uso de 15% de chapas de alumínio na carroceria (que também recebe aços de alta resistência) fez o cupê emagrecer 50 kg em relação ao anterior. Fora isso, a Audi aplicou uma nova geração do conhecido motor 2.0 TFSI, desta vez com injeção direta e indireta unidas (esta para baixas rotações) – a mesma solução adotada no 1.8 TFSI que equipa o A3. O resultado foi um incremento de 19 cv, chegando aos atuais 230 cv e uma boa patada de 37,7 kgfm de torque numa faixa que vai das 1.600 até as 4.300 rpm. O câmbio permanece o S-Tronic de seis marchas e dupla embreagem.

Cara-a-cara com o novo esportivo, é fácil reconhecê-lo como um legítimo Audi TT, assim como também é muito fácil enxergar as evoluções do carro. As linhas agora parecem ter sido lapidadas por facas afiadas como as de um sushiman, com cortes secos e bem definidos na carne. Daí vieram as linhas dos faróis e das lanternas, bem como os cantos vivos da grade e as tomadas de ar do para-choque dianteiro. Atrás, um extrator com duas gordas saídas de escape tomam conta do cenário, enquanto o aerofólio permanece retrátil – se elevando automaticamente a partir de 120 km/h ou por um botão no painel. Nosso carro do test-drive tem ainda belíssimas rodas aro 19″ que compõem o pacote da versão top Ambition, que inclui também os faróis Full LED, o sistema de navegação e o Audi Drive Select, que permite escolher o modo de condução.

Ao entrar, o novo TT nos brinda com uma cabine moderna e ao mesmo tempo refinada. O cupê seguiu dos novos Audi o estilo clean do interior, com poucos botões e comandos – está tudo concentrado no sistema de entretenimento MMI Plus, com funções lógicas e fáceis de usar. A posição de dirigir é do jeito que a gente gosta, baixa e com as pernas pouco flexionadas, além de termos um volante belíssimo, com a base reta e ajuste de profundidade suficiente para vir “no peito”. Os bancos também são excelentes, com bom apoio lateral e o encosto de cabeça embutido, no estilo concha.

Tudo ao redor é agradável de tocar e bonito de ver: o painel é todo de espuma injetada e os detalhes de acabamento são de alumínio, compondo um ambiente esportivo e chique. O couro do tipo Alacantara está nos bancos e também nas portas, que à noite recebem uma bela iluminação de LEDs brancos – tipo de luz que também aparece no contorno das caixas de som do sistema da Bang & Olufsen. Há bastante espaço para os ocupantes da frente, mas o banco de trás continua figurativo, servindo mais como um segundo porta-malas do que para levar gente. No porta-malas “de verdade” a capacidade é de bons 305 litros, porém, o compartimento é um tanto raso e não permite levar objetos altos ou muito volumosos – o que não chega a ser um problema num cupê esportivo.

Esqueça também o tradicional quadro de instrumentos. O novo TT é o primeiro Audi a vir com o que a marca chama de Virtual Cockpit, uma tela LCD de 12,3 polegadas que concentra praticamente toda a instrumentação do carro. É como se o painel e a central multimídia estivessem agregados num único visor, bem à frente do motorista. O mais legal é poder variar o conteúdo, reduzindo o tamanho do velocímetro e do conta-giros e aumentando a imagem do GPS, por exemplo. Também é possível mexer nas configurações do carro, no sistema de som, no Bluetooth… tudo comandado por botões no volante.

Outra sacada foi a inclusão dos comandos do ar-condicionado digital nas próprias saídas de ar da cabine – por que ninguém pensou nisso antes? E são belas saídas de ar, com formato interno de turbina de avião que você gira para mudar a direção do fluxo. Em resumo, na cabine o novo TT matou a pau!
Como anda?
É grande a tentação de tachar o TT como uma mera versão cupê do Golf GTI com acabamento caprichado e as quatro argolas no focinho, mas na verdade ele é bem mais que isso. A principal diferença é que a tocada não lembra o Golf, com seus compromissos de agradar o motorista e à família. A diversão no TT é para dois, e o único compromisso dele é andar forte.

Começa pela recepção: é preciso “cair” no banco para entrar, pois o bicho é baixinho. Uma vez acomodado, reparamos que tudo está à mão, tudo foi pensado no piloto – ao passageiro não é dado nem o direito de olhar o GPS. E logo chama atenção o painel digital que, com uma resolução de 1.440 x 540 pixels, faz a gente achar que está pilotando o TT num videogame. Nesses tempos de radares cada vez mais numerosos (e camuflados), gosto de ter fácil a leitura do velocímetro. Por isso não curti muito a opção que deixa a velocidade e o conta-giros reduzidos, dando destaque ao caminho do navegador ou à música que está tocando, por exemplo. Mas é bem legal ter os principais recursos do carro bem ali na sua frente, além de não haver problemas com a incidência do sol.

Dada a partida por botão, o ronco é conhecido: o 2.0 turbo da Audi fala alto em giros elevados, e seu melhor momento são os “pipocos” nas trocas de marcha mais arrojadas, quando se pisa fundo. A carroceria extremamente rígida praticamente não se move sobre a suspensão de acerto também firme, especialmente no caso desta versão com rodões aro 19″. O rodar é um tanto áspero e ruidoso caso o piso não seja um tapete, mas a estabilidade e a aderência ganham níveis ainda melhores que no A3. E acredite: os pneus são…coreanos! Nada contra os ótimos Hankook 245/35 R19, mas não deixa de ser um sinal dos tempos um carro alemão com pneu oriental.

Encosto num canto da estrada, desativo o ESP, passo o câmbio pro modo Sport e testo o controle de largada: o giro trava em 4 mil rpm e o TT sai em disparada. A Audi fala em 5,9 segundos na aceleração de 0 a 100 km/h, e pela boa puxada não duvido desse tempo – lembrando que o Golf GTI fez 6,7 s na mesma prova em nossos testes. O câmbio S-Tronic continua sublime nas mudanças, rápido como um tiro e sem trancos, além de aceitar reduções com o giro elevado.

OK, mas ser rápido é uma obrigação do TT, e então queríamos saber como ele comporta em velocidade. Bem, confesso que senti alguns balanços nas curvas e então olhei para o velocímetro e vi o motivo: estava a 180 km/h… Ou seja, pode forçar que o TT viaja bem preso ao solo. Resolvi então fazer um retorno de 180 graus em segunda marcha, para deixar a frente espalhar. Mas não teve drama: a dianteira é muito obediente e traseira acompanha fácil a trajetória, de modo que nem dá muito trabalho apontar forte com o TT nas curvas. E logo o ESP belisca os freios e traz a dianteira para dentro da tangente. Tremenda também é a resposta dos freios, com um pedal firme e de boa sensibilidade, além de ancoradas potentes.

Saindo do piso bom da estrada, o TT sente as pancadas – e você também. As rodas aro 19″ são bonitas e ajudam na estabilidade, mas exigem cuidado com os buracos e a suspensão quase seca (mesmo no modo Comfort) não alivia muito, sendo possível notar a rugosidade do asfalto. Pena que a direção não acompanha essa fidelidade. Ela é rápida e tem bom peso, mas parece artificial e filtra demais as informações do piso, parecendo tão digital quanto o painel.
Quanto custa?
Esqueça a versão de entrada Attracion (R$ 209.990) se você quer um TT com as coisas mais bacanas que o carro oferece: somente o modelo Ambition (de R$ 20 mil extras) vem com o sistema de navegação, o ar digital nas saídas de ar, os faróis Full LED (que iluminam muuito!), o Audi Drive Select e ainda as rodas de 19″. Somando as duas configurações, a marca espera emplacar ao menos 50 unidades mensais da novidade até o fim do ano.

A despeito de toda a tecnologia, design e refinamento empregados no novo TT, temos de convir que o preço ficou um tanto salgado – apesar de manter o valor de partida do modelo anterior. Afinal, sempre terá alguém para alegar que você pode encontrar desempenho parecido num Golf GTI por cerca de R$ 100 mil a menos. Ou, gastando os mesmos R$ 230 mil, dá para levar um BMW 235i, com motor 3.0 turbo de 326 cv e tração traseira. Uma bela dúvida, não?
Por Daniel Messeder, do Rio de Janeiro (RJ)
Fotos autor e divulgação
Ficha Técnica – Audi TT 2016
Motor: dianteiro, transversal, quatro cilindros, 16 válvulas, 1.984 cm³, turbo, injeção direta e indireta, gasolina; Potência: 230 cv de 4.500 rpm a 6.200 rpm; Torque: 37,7 kgfm entre 1.600 e 4.300 rpm; Transmissão: câmbio automatizado S-Tronic de dupla embreagem e seis marchas, tração dianteira; Direção: elétrica; Suspensão: independente McPherson na dianteira e independente multibraço na traseira; Freios: discos nas quatro rodas com ABS e EBD; Rodas: aro 19″ com pneus 245/35 R19; Peso: 1.335 kg; Capacidades: porta-malas 305 litros, tanque 50 litros; Dimensões: comprimento 4.177 mm, largura 1.832 mm, altura 1.353 mm, entre-eixos 2.505 mm
Galeria:
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