Testamos um JAC J3 Turin usado de 83 mil km

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Robô Troll
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24 Out 2015, 10:30

Testamos um JAC J3 Turin usado de 83 mil km
Do Auto Esporte


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Jac J3 Turin usado (Foto: Fábio Aro)


Durante as avaliações, uma preocupação recorrente da Autoesporte é com a durabilidade dos carros. Como certos modelos ficariam após muitos quilômetros rodados? Foi por isso que topamos de cara quando a JAC nos ligou oferecendo um J3 Turin de 83 mil km para teste. A avaliação precisava ter critérios mais rigorosos, já que o modelo seria cedido pela marca chinesa e, eventualmente, poderia ter passado por uma bela geral antes de nos ser entregue. Decidimos, então, levar o sedã para uma espécie de check-up. Da oficina à concessionária, veja como o usado se saiu.

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JAC J3 Turin usado (Foto: Fábio Aro)


Logo que o JAC estacionou na nossa garagem, vimos que, diferente dos carros que costumam chegar por aqui, o J3 Turin tinha parte da pintura descascada e o couro dos bancos era opaco, ou seja, não brilhava como de costume. Apesar da idade, as características não são comuns em carros de apenas um ano, o caso do nosso avaliado da vez. “O principal ponto fraco desse carro são as peças de má qualidade”, afirma Rubens Venosa, engenheiro proprietário da oficina Motor Max e consultor de Autoesporte.


Com o carro levantado no elevador, Venosa pôde avaliar o que 83 mil km rodados teriam feito com o sedã. O chinês estava, no geral, bem conservado. “Esse é um carro de estrada. Se não fosse, estaria mais deteriorado.”


As pastilhas dos freios apresentavam desgaste avançado, mas ainda eram originais. Porém, a pastilha interna e a externa não estavam gastas na mesma proporção. “Pino mal feito ou coifa ruim faz com que a pastilha gaste desigual e mais rápido.” As buchas das bandejas da suspensão estavam trincadas, mas também não haviam sido trocadas. “Elas estão rachadas, mas em bom estado para um carro de 83 mil quilômetros. Acredito, porém, que,  em bons carros nacionais, aguentaria mais de 100 mil km”, opina o engenheiro.


Na oficina, também percebemos que alguns itens foram reparados durante as oito revisões, feitas a cada 10 mil km rodados. A bucha central da barra estabilizadora foi trocada e o cárter, recolado, provavelmente por um vazamento. Além disso, a suspensão foi reapertada.

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JAC J3 Turin usado (Foto: Divulgação)


Ainda assim, o estado geral do J3 Turin usado está bom, principalmente porque o antigo dono do veículo rodava predominantemente em rodovias. Poucos itens foram trocados e a maioria das peças é original.


Depois da oficina, foi a vez de visitar duas concessionárias. Como clientes, nós tentamos revender o sedã chinês e nos foi oferecido R$ 20 mil e R$ 22 mil. Mesmo com todas as revisões feitas na própria JAC, o dono do sedã teria perdido, em apenas um ano, cerca de R$ 20.500. Além da quilometragem alta, os motivos citados pelos vendedores para a desvalorização elevada foi a baixa procura por modelos da marca e a dificuldade de encontrar suas peças na hora da manutenção.


Mesmo tendo feito todas as revisões e ainda contar com mais cinco anos de garantia, o dono desse JAC J3 Turin perderia, em apenas um ano, mais de 45% do valor total.

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JAC J3 Turin usado (Foto: Divulgação)


Depois de levar o JAC ao mecânico e às lojas, fomos com o chinês para a pista de testes. O ensaio de 0 a 100 km/h foi feito em 11,6 s, bom número para um sedã compacto e ligeiramente melhor do que os 11,9 s declarados pelo fabricante – algo esperado. Mas o J3 Turin decepcionou durante os testes de retomada: o modelo demorou 11,2 s para ir de 60 a 100 km/h. De 40 a 80 km/h, foram 7,7 s.


No dia a dia do trânsito, o motor 1.4 a gasolina de 108 cv a 6.000 rpm dá conta do recado. O problema só aparece na hora de ligar o ar, que exige muito e rouba giros do motor para funcionar. O acabamento interno é bem simples e o painel tem muito plástico de baixa qualidade.


A lista de itens, no entanto, compensa a simplicidade. O modelo tem ar, farol de neblina, trio elétrico, farol com regulagem de altura, USB, sensor de ré e volante de couro com comandos de som e ajuste de altura. Mas faltam alguns recursos importantes, como ajuste de altura do banco do motorista e controle de tração e estabilidade. No banco de trás, também faltam encosto de cabeça e cinto de três pontos para o passageiro do meio, que viaja desconfortável já que o túnel central é elevado.


Outro ponto negativo é o fato desse sedã chinês seminovo não ser flex, mas os índices de consumo são bons. Na cidade, o J3 Turin fez média de 13,4 km/l e 15 km/l na estrada. O câmbio manual de cinco velocidades exige um pouco de atenção nos engates, não chega ao nível de precisão dos melhores do segmento (como a transmissão MQ200 dos VW compactos), porém, está longe de ser a pior. Já a embreagem estava desgastada e exigia mais curso no pedal. Outro ponto é a direção hidráulica, cuja assistência é pesadona. Os freios também são outro ponto em que o modelo ainda tem que evoluir – foram 29 metros de 80 a 0 km/h.  

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Jac J3 Turin usado (Foto: Divulgação)


Após acrescentar uns bons quilômetros ao já rodado hodômetro do JAC, fica claro que o J3 ainda precisa evoluir também em ergonomia, a coluna de direção é ajustável apenas em altura e a regulagem deve em amplitude.


Se você quer pagar pouco em um sedã completão e econômico, o J3 Turin usado vale a compra. Na tabela Fipe, o carro é avaliado em R$ 33.308. Com esse valor, é possível comprar um Chevrolet Classic LS (R$ 32.950), um Fiat Palio Way (R$ 31.670) ou um Fiat Uno Vivace (R$ 30.970).  No caso do Classic, não há nem retrovisores elétricos. Além dos obrigatórios, o principal equipamento do Chevrolet é ar, apenas. No Palio Way, por exemplo, nem esse item está presente.


A situação muda, porém, se o assunto for desvalorização. O J3 Turin tem desvalorização média de 21%, contra 9,4% do Palio, 11,3% do novo Uno e 14,8% do Classic. Já o consumo tem um bom indicie comparado aos rivais. O chinês faz média de 13,4 km/l na cidade e 15 km/l na estrada. O também sedã Chevrolet Classic faz 10,4 km/h no trecho urbano e 13 km/h no trecho rodoviário. Ou seja, se a questão é economizar, o J3 usado é uma opção, já que a desvalorização abate muito mais o 0 km.


Ponto positivo: A lista de itens de série é recheada e o estado geral mecânico está bom


Ponto negativo: O sedã tem desvalorização alta, só aceita gasolina e tem acabamento simples


TESTE


ACELERAÇÃO

0 - 100 km/h: 11,6 s

0 - 400 m: 17,9 s

0 - 1.000 m: 32,9 s

Vel. a 1.000 m: 159 km/h

Vel. real a 100 km/h: 95


RETOMADA

40-80 km/h (3 m): 7,7 s

60-100 km/h (4 m): 11,2 s

80-120 km/h (5 m): 16,7 s


FRENAGEM

100 - 0 km/h: 44,2 m

80 - 0 km/h: 29 m

60 - 0 km/h: 16,4 m


CONSUMO

Urbano: 13,4 km/l

Rodoviário: 15 km/l

Média: 14,2 km/l

Aut. em estrada: 720 km


DADOS DA MONTADORA


MOTOR

Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 16V, comando simples


CILINDRADA

1.332 cm³


POTÊNCIA

108 cv a 6.000 rpm


TORQUE

14,0 kgfm a 4.500 rpm


CÂMBIO

Manual de 5 marchas, tração dianteira


DIREÇÃO

Hidráulica


SUSPENSÃO

Indep. McPherson (diant.)

e Indep. Dual Link (tras.)


FREIOS

Discos ventilados (diant.)

e tambor (tras.)


PNEUS

185/60 R15

DIMENSÕES

Compr.: 4,15 m

Largura: 1,65 m

Altura: 1,46 m

Entre-eixos: 2,40 m


TANQUE

48 litros


PORTA-MALAS

490 litros (fabricante)

419 litros (aferido AE)


PESO

1.100 kg


Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... il-km.html

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Ramiel
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27 Out 2015, 15:34

Chinês usado :hahalol:

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Rodolfo
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27 Out 2015, 16:28

Compraria fácil se quisesse um lixo desses pra usar no dia a dia.


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Kicksilver
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27 Out 2015, 22:37

Robô Troll escreveu: Depois da oficina, foi a vez de visitar duas concession�rias. Como clientes, n�s tentamos revender o sed� chin�s e nos foi oferecido R$ 20 mil e R$ 22 mil. Mesmo com todas as revis�es feitas na pr�pria JAC, o dono do sed� teria perdido, em apenas um ano, cerca de R$ 20.500. Al�m da quilometragem alta, os motivos citados pelos vendedores para a desvaloriza��o elevada foi a baixa procura por modelos da marca e a dificuldade de encontrar suas pe�as na hora da manuten��o.
:lol: :hateogwbaby:

E, vendedores bons hein. Eles mesmos afirmando que não tem peça de reposição :lol:

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rlaranjo
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29 Out 2015, 05:39

O que perde em desvalorização banca a manutenção de uma frota de carros usados.

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Rodolfo
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29 Out 2015, 23:19

Pura verdade.


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