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Hyundai HB20 S 1.0 turbo Dianteira (Foto: Divulgação)
Ter um carro turbo nos anos noventa significava estar pronto para competir nas pistas. Mas hoje em dia significa algo muito mais racional: eficiência energética, ou seja, mais desempenho, menos poluição e mais economia de combustível. A fórmula vantajosa fez com que várias montadoras adotassem o turbo em seus carros no Brasil: Volkswagen, Chevrolet, Honda e por aí vai. Em abril, a Hyundai também decidiu entrar na onda com o HB20S 1.0 Turbo.

O 1.0 três cilindros turbo flex de 12 válvulas entrega 105 cavalos de potência quando abastecido com etanol e 98 cv com gasolina e só está disponível nas versões intermediárias Comfort Plus (R$ 51.475) e Comfort Style (R$ 55.225), sem mudanças no pacote de equipamentos.
Ficamos uma semana com o HB20S 1.0 turbo em nossa garagem. Foi tempo suficiente para rodar na cidade, na estrada e para levá-lo para a nossa pista de testes. Veja como ele se saiu.
Impressões gerais
Dizem que a primeira impressão é a que fica. Se for verdade, o HB20S se saiu bem em nosso primeiro encontro. A nova grade hexagonal com detalhes cromados, os para-choques dianteiro e traseiro redesenhados fizeram bem ao visual do sedã, que ganhou linhas mais modernas.
Já dentro do carro, a primeira coisa que chama a atenção é a tela multimídia. O rádio integrado ao painel central não possui tela sensível ao toque na versão testada - a Comfort Style. Na verdade, se você optar pelo motor 1.0 turbo, não poderá ter a nova central blueMedia com tela de sete polegadas, ela não é vendida nem como opcional. Mas há conexão bluetooth, streaming de áudio, MP3 player, conexões USB e auxiliar e comandos de áudio e telefonia no volante.

Hyundai HB20 S 1.0 turbo interior (Foto: Divulgação)
Conectei meu celular ao sistema, escolhi uma música e liguei o carro. No geral, a central é rápida e de fácil uso – precisei de pouquíssimo tempo para me adaptar a ela. Também foi simples achar um espaço para guardar minhas coisas - há um bom número de porta objetos com compartimentos pensado para óculos e copos. No geral, o interior do carro tem acabamento simples, mas moderno e bem finalizado – sem rebarbas.
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O ajuste de altura do banco do motorista é algo que incomoda, já que ainda é feito por uma roldana que apenas inclina a base do assento. O fato é que o HB20 irá agradar quem gosta de dirigir baixo. Vale lembrar que na versão testada era possível ajustar altura e profundidade do volante, mas isso não pode ser feito na versão mais básica, a Comfort Plus.
Impressões ao volante
Logo ao sair da garagem, já deu para perceber que a força do motor 1.0 turbo iria me surpreender. O sedã tem fôlego de sobra, mas precisa que o motorista pise fundo no acelerador para entregá-la. Para trabalhar bem, o motor necessita estar em altas rotações, sempre perto dos três mil giros. Talvez por isso o modelo não tenha surpreendido no quesito consumo de combustível. Comparado ao irmão 1.0 aspirado, o turbo só tem melhores médias na estrada - 12,9 km/l contra 11,7 km/l. Na cidade, a média foi de 7,7 km/l contra 9,2 km/l da versão aspirada. Como comparação, os números de consumo do HB20S 1.6, de 128cv, na cidade são de 8,1 km/l e na rodovia, 11 km/l.

Hyundai HB20 S 1.0 turbo (Foto: Divulgação)
Os melhores resultados no trecho rodoviário é efeito do uso mais frequente da sexta marcha, uma das novidades da linha 2016. Além de reduzir o consumo, ela joga a rotação do motor para baixo, o que também diminui o barulho dentro do carro, principalmente na estrada. A 120 km/h, o sedã em 5ª marcha estabiliza nos 3.800 giros. Ao passar para a 6ª marcha na mesma velocidade, o giro do motor cai para 2.900 rpm. A manopla tem engate curto e preciso.
Outra diferença sentida na cidade e na estrada é o uso da direção hidráulica. O sistema funciona muito bem em trechos urbanos - o volante fica leve para manobras e baliza. O problema é que a mesma leveza é sentida na estrada, o que transmite sensação de insegurança em altas velocidades. Já o espaço interno é bom - o sedã tem 2,5 metros de entre-eixos e 473 litros de porta-malas. Há espaço para cinco ocupantes, já que o duto central é quase plano.
Pista de testes

Se no teste de consumo o HB20S 1.0 turbo decepcionou, o sedã surpreendeu na pista, com números muito bons se comparados à média do mercado para a categoria e ao HB20S 1.0 aspirado. Na prova de aceleração, quando o nosso piloto leva o carro ao limite para descobrir o tempo mínimo de 0 a 100 km/h, o sedã registrou bons 11,1 segundos. O modelo aspirado realizou o mesmo trecho em 15 segundos e o 1.6, em 10,2 segundos. A média do segmento é de 15,2 segundos.

A média de retomada do sedã turbo da Hyundai também foi boa. Nesse teste, nosso piloto simula o que seria uma ultrapassagem comum na cidade e conta o tempo que o carro leva para ir de 60 km/h até 100 km/h, com o pé no limite do acelerador. Quanto menos tempo o carro levar para atingir a velocidade, mais seguro está o motorista, que consegue fazer uma ultrapassagem mais rápida, por exemplo. O sedã turbinado levou 7,9 segundos para concluir a prova, o aspirado 13,5 e o 1.6, 9,7 – a média do segmento está em 14,1 segundos.

O sedã também se saiu bem no teste de frenagem. Durante a avaliação, fazemos com que o carro chegue a 100 km/h para então pisar fundo no freio, como em uma freada de emergência. A situação pode acontecer facilmente no dia a dia, caso um veículo quebre na estrada, por exemplo. A 100 km/h, o HB20S turbo precisou de 45,1 metros para parar. De acordo com Nilton Monteiro, diretor executivo da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, o número do teste de variar entre 40 e 60 metros, sendo 40 um resultado muito bom e 60 um resultado péssimo.
Custo benefício
A versão que dirigimos, a Comfort Style, vem equipada com ar-condicionado, alarme, trio elétrico, computador de bordo, direção hidráulica, ISOFIX, ABS com EBD, bluetooth, MP3, entradas USB e auxiliar, volante com comandos de áudio, rodas de liga leve de 15 polegadas. Vale lembrar que o modelo não possui opcional, ou seja, não é possível adicionar a nova tela de sete polegadas sensível ao toque da marca. Também faltam alguns itens básicos, como acendimento automático dos faróis.
Vale a compra?
Sim. O HB20S turbo é uma boa opção para quem busca um motor potente em um modelo novo e bem equipado. O motor 1.0 turbo, apesar de não surpreender no quesito consumo de combustível, dá conta do recado. A versão intermediária vem bem equipada - evite a mais básica, que fica devendo itens como ajuste de profundidade do volante. O preço é, em média, R$ 2.600 mais barato do que o das configurações 1.6 e R$ 3.700 mais caro do que as equipadas com motor 1.0 aspirado.

Fotos: Hyundai HB20S 2016
Ficha Técnica
Motor: Dianteiro, transversal, 3 cil. em linha, 12V, comando duplo, turbo, flex
Cilindrada: 998 cm³
Potência: 98/105 cv a 6.000 rpm
Torque: 13,8/15 kgfm a 1.550 rpm
Câmbio: Manual de 6 marchas, tração dianteira
Direção: Hidráulica
Suspensão: Independente McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
Freios: Discos ventilados na dianteira e tambores na traseira
Pneus: 185/60 R15
Comprimento: 4,23 metros
Largura: 1,68 metro
Altura: 1,47 metro
Entre-eixos: 2,50 metros
Tanque de combustível: 50 litros
Porta-malas: 450 litros (fabricante), 473 litros (aferidos por Autoesporte)
Peso: 1.055 kg
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... turbo.html









