Exclusivo: em meio a crise da JAC, dirigimos o novo T5 CVT nacional

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Robô Troll
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25 Jun 2016, 21:52

Exclusivo: em meio a crise da JAC, dirigimos o novo T5 CVT nacional
Do Auto Esporte


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Avaliamos dois T5 CVT, um fabricado para o mercado chinês, outro preparado para o Brasil (Foto: Divulgação)


Dia de teste na Autoesporte é sinônimo de acordar cedo. Antes mesmo das seis horas da manhã, saímos da garagem rumo a Tatuí, interior de São Paulo, onde fica a pista. Em 31 de maio, era a vez de encontrar dois chineses: uma unidade pré-série do JAC T5 CVT importada da China e preparada para o mercado brasileiro e outra produzida para o mercado chinês. O objetivo era compará-los e testar aquele que seria o primeiro carro da marca produzido no Brasil em sistema CKD (montagem a partir de um conjunto importado de peças). Mal sabíamos que, naquele mesmo dia, a JAC Motors se tornaria a primeira descredenciada do Inovar-Auto, colocando em xeque não apenas o lançamento do SUV, mas a própria permanência da marca no país.

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A empresa chegou ao Brasil em 2011 com uma fórmula relativamente simples, repetida em seu novo produto: uma unidade produzida na China é dirigida por engenheiros e executivos no Brasil, depois um relatório é enviado para o oriente com as mudanças que devem ser feitas na versão que será vendida por aqui. A fim de agradar o consumidor brasileiro, a suspensão do T5 ficará mais rígida, as relações de marchas serão encurtadas e a tela da central multimídia crescerá para oito polegadas, com função de espelhamento. O caramelo dos bancos dará lugar a um couro sintético preto, grade dianteira e para-choque receberão pequenas mudanças e a cabine ficará mais silenciosa, após melhorias no isolamento acústico e vibração.


A garantia será de seis anos, contra três oferecidos na China. Com preço acima dos R$ 70 mil, a expectativa é que sejam vendidas 300 unidades por mês. O lançamento está previsto para outubro, inicialmente importado. Apenas no começo do ano que vem ele será montado no Brasil. Ao menos, esse era o plano até aquela terça-feira, 31 de maio.

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A empresa vive em dificuldades desde setembro de 2011, quando teve de reduzir drasticamente seus planos de investimentos no Brasil após o anúncio do super IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados). A crise do setor automobilístico no início de 2012 também não ajudou. A participação no Inovar-Auto era uma garantia para conseguir abatimento de impostos na importação de modelos, com compromisso de construir a fábrica. Mas, por não cumprir as exigências do programa, a montadora terá de devolver o IPI retroativo das vendas, bem como os incentivos dados pelo governo da Bahia, onde a linha de montagem seria erguida, um valor estimado de R$ 180 milhões.


O descredenciamento pode fazer com que a JAC abandone a ideia de produzir no Brasil, uma vez que o valor a ser devolvido para a Receita Federal representa quase a previsão total de investimentos da nova fábrica, R$ 200 milhões.


SUV para o Brasil


Com a crescente onda de utilitários esportivos, o T5 CVT poderia significar uma retomada para a marca, que, entre 2011 e 2014, perdeu quase 80% de suas vendas. Mesmo com muito plástico rígido, o interior do modelo mostra o amadurecimento da JAC – o acabamento é bem finalizado e sem rebarbas. Todos os botões estão bem posicionados, embora o vidro elétrico só tenha função um toque para o motorista. A central multimídia tem interface ultrapassada, mas fácil de operar.

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O entre-eixos de 2,56 metros é suficiente para comportar um interior que leva cinco adultos com folga, até mesmo o passageiro central traseiro. A direção elétrica é macia para manobras, mas poderia ficar mais rígida em altas velocidades. A suspensão não filtra muito bem as irregularidades do solo, o que faz com que qualquer desnível da pista seja sentido com facilidade.


Assim como a versão manual, o T5 com transmissão continuamente variável virá com motor 1.5 flex de 125/127 cv e 15,5/15,7 kgfm a 4.000 rpm. Itens de série, claro, não faltam: controle de tração e estabilidade, ar-condicionado digital, trio elétrico, assistente de partida em rampas, central multimídia, banco de couro, repetidor de seta, controle de cruzeiro, cinto de três pontas e encosto de cabeça para todos os ocupantes, volante multifuncional com ajuste de altura, isofix, tomada 12V, sensor de estacionamento, câmera de ré e regulagem de altura dos faróis. Apesar de completo, faltam alguns itens esperados para essa faixa de preço, como GPS, teto solar e retrovisor interno fotocromático.

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JAC T5 para o mercado nacional (Foto: Marcos Camargo/Autoesporte)


No geral, o câmbio CVT é bem calibrado e capaz de entender quando o motorista precisa de mais força. Comparado ao modelo fabricado para a China, o T5 “nacional” chega a altas rotações mais rápido. No zero a 100 km/h, gastou 13,4 s, ante 12,8 s do chinês, que perdeu para o irmão apenas no teste de frenagem – 40,9 contra 41,8 metros. Na retomada deu empate: ambos os modelos levaram 7,6 s para ir de 60 a 100 km/h.


Sergio Habib, presidente do Grupo SHC e responsável pela vinda da marca chinesa ao Brasil, nega que haja qualquer mudança de planos. Em comunicado, o empresário garante que vai continuar suas atividades no país e manterá a cota de importação anual de 4.800 veículos, quantia permitida sem o super IPI.


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Fotos: JAC T5 nacional X chinês



 


Em resposta à Autoesporte, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior revelou ter notificado a JAC dez dias antes de cortar o benefício. “A montadora não apresentou qualquer elemento novo ou concreto que apontasse para efetiva execução do projeto industrial”, afirma. Habib não quis dar entrevista e preferiu se manter em silêncio enquanto não “tiver algo concreto” a dizer. Enquanto isso, planeja visitas a Brasília. Recorrer da decisão? Agora, só se for na Justiça.

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Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Not ... ional.html

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Kicksilver
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27 Jun 2016, 14:34

Depois dessa do Inovar, já era.

Vai acabar sumindo do dia pra noite, que nem Kia/Hyundai nos anos 90.

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Buzz
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29 Jun 2016, 11:47

Habib tá ferrado se tiver que pagar o IPI retroativo.

Mas devem deixar a dívida com a empresa, igual no caso da Asia.

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