Avaliação: Renault Koleos 2.5

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28 Jul 2016, 17:13

Avaliação: Renault Koleos 2.5
Do Auto Esporte


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Renault Koleos (Foto: Divulgação)


Antes de mais nada, a pronúncia do nome do crossover diante de você talvez crie alguma dúvida. Você pode chamá-lo de Kôleôs, em uma acentuação forçada pela pronúncia à francesa. É o primeiro passo para ir se acostumando com o carro, que pode ser a principal aposta importada da Renault neste ano. Esse condicional não foi embutido na última frase por acaso. O crossover médio produzido na Coreia do Sul estará no Salão de São Paulo, com planos de comercialização no Brasil logo no início de 2017. Mas o efeito Megane RS é conhecido: se a cotação do real desabar ou a situação econômica piorar, talvez os planos do Koleos sejam suspensos, como aconteceu antes com o esportivo. De qualquer forma, a importação do carro está de pé no momento atual.


O lançamento mundial é uma alternativa da Renault em um segmento bem concorrido: o dos crossovers médios. Curiosamente, o utilitário é conterrâneo de alguns dos seus principais concorrentes, exemplos do Hyundai Santa Fe, do novo Tucson e do Kia Sorento.

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Renault Koleos (Foto: Divulgação)


Embora ainda não tenha preços ou configurações definidas para o Brasil, certamente o Koleos conta com uma boa margem para ter sua importação confirmada oficialmente mesmo com a variação cambial. Olha que o carro já chegou a dar as caras no mercado nacional em pequena escala. A primeira geração lançada em 2007 é um dos veículos de frota mais utilizados pelos executivos do fabricante francês.


O que sabemos é que jipão desembarcará apenas em sua versão mais completa, logo acima dos R$ 160 mil. É um patamar ligeiramente superior ao de Honda CR-V e Toyota RAV4, menores e não tão bem equipados. Os SUVs já respondem por quase um terço do segmento D (carros médios para o padrão europeu) mundialmente, daí o fato do Koleos ter sido escolhido para representar a Renault em mais de 80 países.

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Enquanto alguns carros apostam em armas secretas, o Koleos escancara o design como um dos seus principais atributos. Introduzida recentemente na Europa, a nova linguagem visual do fabricante faz os Renault sobressaírem à distância no trânsito caótico de Paris. É difícil olhar para o crossover e não enxergar o parentesco com o sedã Talisman, desenhado pela equipe chefiada pelo designer Laurens van den Acke em paralelo com o utilitário. A mesma carinha está nos Megane e cia, uma unificação de desenho que reforça a identidade da marca francesa mundo afora. Produzido na cidade de Busan, na Coreia do Sul, pela Renault Samsung Motors (onde é chamado de QM6), o Koleos desfila pela França com a mesma estampa dos carros feitos pela Renault na sua terra natal.

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Renault Koleos (Foto: Divulgação)


Dá uma boa olhadinha nas fotos. A dianteira é diferenciada pelos leds que partem dos faróis de xenônio e se espicham até as bordas dos faróis de neblina. O conjunto é alongado ainda por frisos cromados que terminam em entradas de ar falsas nas laterais. O capô estriado garante um olhar maléovolo, reforçado pelos para-lamas bem pronunciados. As lanternas de leds quase que se unem, apenas o losango da Renault separa os filetes em uma posição quase tão destacada quanto na grade dianteira. A soleira da porta com detalhes pretos colabora para dar um jeito mais horizontal e espichado ao veículo de 4,67 metros de comprimento, uma forma de achatar visualmente a silhueta de 1,67 m de altura. Por sua vez, as rodas de 18 polegadas fazem sua parte para dar aquele jeito de conceito fugido de um salão automotivo.


Impressões ao dirigir  


Não é apenas o visual que é bem diferente da linha Renault vendida por aqui. A arquitetura também é nova, baseada sobre a plataforma modular CMF-D (a letra D indica o segmento do carro), capaz de ser ajustada para vários comprimentos e propostas. A mesma base serve aos primos Nissan Qashqai (sobre o qual é feito o Renault Kadjar) e X-Trail - ambos testados por Autoesporte e cotados para serem importados para o Brasil.


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Fotos: Renault Koleos



 


Falando em Nissan, o motor 2.5 é basicamente o mesmo utilizado pelo Altima. Com quatro cilindros, comando duplo de válvulas comandado por corrente, o propulsor rende 170 cv e 23,7 kgfm de torque a 4.000 rpm. O sedã médio grande japonês conta com 182 cv e 24,7 kgfm, mesmo que também use injeção eletrônica.


O câmbio CVT X-Tronic é outro item comum da aliança Renault-Nissan, mas está em um patamar muito mais evoluído no Koleos. Há opções de trocas sequenciais na alavanca, modo no qual a caixa simula sete velocidades. A operação automática também faz mímica na hora em que imita a passagem de marchas, uma forma de engajar mais o motorista na condução do utilitário. Quer saber? É bem convincente, o novo X-Tronic não é dado ao jeito de scooter das transmissões de variação contínua antigas. Os giros não são forçados a ficar lá em cima por muito tempo e as retomadas são ágeis, a despeito dos 1.607 kg do jipão. Ainda não temos números oficiais de desempenho e consumo.

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Renault Koleos (Foto: Divulgação)


Segundo a Renault, 20,4 kgfm já estão disponíveis a apenas 1.800 rpm, o que garante consistência de resposta ao Koleos. Claro que não há a mesma prontidão de resposta ou o som metálico do 3.3 V6 dos rivais Santa Fe e Sorento, tampouco a esperteza a baixas rotações dos motores a gasolina turbinados presentes nos futuros concorrentes Volkswagen Tiguan e Hyundai Tucson, ambos em novas gerações e marcados para pintar ainda em 2016 no Brasil.


Mesmo que não esbanje o vigor dos rivais, o Koleos consegue se escorar no conjunto agradável no dia a dia. A suspensão McPherson na dianteira e multilink na traseira conta com o costumeiro bom ajuste dinâmico da Renault. A direção elétrica é macia e consegue ajudar a espremer o jipão em meio aos congestionamentos parisienses e vagas de rua. Ao pegarmos a estrada, a rotação ficava abaixo dos 3.000 rpm mesmo ao rodar a 130 km/h. O isolamento de rodagem e de ruídos aerodinâmicos está no patamar premium.

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No primeiro trecho travadinho, a tração 4X4 sob demanda deu uma pitada de esportividade. Em condições normais, você pode rodar no modo 2WD, que passará a força apenas para as rodas dianteiras. No modo Auto, até 50% da tração pode ser repassada para o diferencial traseiro graças a um sistema de acoplamento viscoso. É um mecanismo sob demanda, você pode espiar a divisão de força a todo momento no quadro de instrumentos. Basta pisar um pouquinho no pedal direito para a divisão mudar. Sensores levam em consideração a aceleração lateral, longitudinal e grau de esterço do volante para coibir saídas de frente e de traseira, além de não deixar as rodas patinarem na terra. O modo Lock divide igualmente o repasse para vencer encrencas maiores e funciona a até 40 km/h.


Foi o suficiente para nos levar por um curto passeio no bosque dentro do circuito de testes do fabricante. O percurso de terra batida não exigiu muito do carro, que se valeu da tração 4X4 automática na maior parte do tempo. Nem mesmo os pneus Nexen 225/60 aro 18 voltados para o asfalto comprometeram - há opção 225/55 aro 19. Uma ladeira colocou à prova a capacidade de resposta em baixa do 2.5, mas foi fácil vencer o pequeno desafio. Ao descer a mesma rampa, apenas controle de velocidade de descidas fez um pouco de falta. Os ângulos de entrada de 19º e de saída de 26º dão uma força junto com os 21,7 centímetros de altura de rodagem.



Entre os assistentes dinâmicos mais comuns na classe, não é apenas o HDC que faz falta. Há assistente de frenagem automática, capaz de reagir caso a distância do carro que vai à frente diminua catastroficamente, porém o controle de cruzeiro ativo ficou de fora. Para compensar, há monitoramento de faixa (que reproduz o ruído de se passar sobre as linhas de asfalto ou sinalizadores quando você vacila), de ponto cego e de cansaço. O corpanzil do Koleos é espremido facilmente em vagas graças ao Park Assist, capaz de estacionar automaticamente em espaços paralelos, diagonais e a 90 graus. Entre as gentilezas cotidianas, senti falta apenas do Autohold: o freio de mão eletrônico poderia ser acionado automaticamente em paradas se contasse com essa função. Por sua vez, a segurança é reforçada pelo uso de aço de ultraaltaresistência nas colunas e por seis airbags (frontais, laterais dianteiros e do tipo cortina).


Itens e equipamentos


Por dentro, apenas a posição de dirigir 15 cm mais alta entrega que o Koleos é um crossover e não um sedã da mesma classe. O quadro de instrumentos tem visor central de LCD e marcadores analógicos de temperatura à esquerda e de combustível à direita. Há componentes de prateleira da Renault (exemplo do clássico comando satélite do som na coluna) e da Nissan (os botões dos vidros elétricos na porta, um-toque apenas para o motorista).

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Renault Koleos (Foto: Divulgação)


São pontos familiares que contrastam com a sensação de modernidade garantido pela central multimídia R-Link2 de última geração. É uma tela de 8,7 polegadas que poderia ter sido desenvolvida em conjunto com a Tesla, um dos raros fabricantes a também apostar em um ecrã vertical. A disposição de tablet permite ver dois conteúdos diferentes sem prejudicar a qualidade de visualização, tais como GPS e sistema de som. A Renault até optou por um tamanho intermediário entre as diferentes versões do iPad.


O jeito é de tablet e a funcionalidade do R-Link2 é parecida. Graças à tela sensível a vários gestos, é possível pinçar ou arrastar ícones, além de baixar aplicativos. Sua lista de contatos exibe cada nome com sua respectiva foto, enquanto os álbuns de música têm suas capas em alta definição. O estilo conectado do Koleos fica patente em detalhes como as duas entradas USB no console traseiro.


Bem ágil, o R-Link2 permite configurar outras funções. Você pode ver desde informações do veículo, exemplo da pressão dos pneus, e até mudar da luz ambiente (em tons como vermelho, verde, violeta e azul) e do quadro de instrumentos, que também conta com vários padrões de exibição, do esportivo ao econômico.


Há espaço de sobra para cinco passageiros, mas não teremos versões de sete lugares. O vão para as pernas atrás chega a ótimos 28,9 metros. Mesmo tendo 1,84 metro de altura, a minha cabeça ficou distante do teto, algo que nao aconteceu no banco traseiro do Talisman, equipado com teto-solar panorâmico. O porta-malas leva declarados 550 litros, volume que pode ser expandido facilmente graças aos bancos traseiros bipartidos. Em funcionalidade, somente a Espace supera o Koleos na gama Renault.


O acabamento dispõe de superfícies macias no painel e nas portas. Além dos bancos, volante e manopla, o revestimento de couro também recobre a parte superior do quadro de instrumentos. Barras revestidas no mesmo material ficam nas laterais do console e servem para dar esportividade e apoio no fora de estrada. Há couro em tons como branco e marrom, mas, se fossemos você, colocaríamos nossas fichas no preto.


Com tudo que tem direito, o modelo testado contava com ar-condicionado com duas zonas de ajuste, teto-solar panorâmico, bancos elétricos ventilados (com regulagem de altura, profundidade e lombar, mas sem memória de posição), sistema de som Bose surround com 13 alto-falantes, volante aquecido, tampa do porta-malas elétrica com sensor de abertura acionado pelo pé, etc. É um pacote que pode ajudar o Koleos a se dar bem no segmento de luxo, ainda que em pequena escala. Independentemente do número de vendas, o crossover será capaz enriquecer a linha do fabricante francês. Atualmente, a Renault aposta em compactos como o Sandero, Logan e Duster, todos de origem Dacia, além do Fluence e do futuro Kwid. O novo Captur e o Koleos vão ajudar a afrancesar o fabricante sem perder a participação conquistada com os pequenos romenos.


Ficha técnica


Motor: Dianteiro, transversal, 4 cil. em linha, 16V, comando duplo, gasolina


Cilindrada: 2.488 cm³


Potência: 170 cv a 6.000 rpm


Torque: 23,7 kgfm a 4.000 rpm


Câmbio: Automático do tipo CVT com 7 marchas simuladas, tração integral


Direção: Elétrica


Suspensão: Indep. McPherson (diant.) e multilink (tras.)


Freios: Discos ventilados (diant.) e sólidos (tras.)


Pneus: 225/65 R18


Comprimento: 4,67 m


Largura: 1,84 m


Altura: 1,67 m


Entre-eixos: 2,70 m


Tanque: 60 litros


Porta-malas: 550 litros (fabricante)


Peso: 1.607 kg


Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Ana ... os-25.html

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RockMaan
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30 Jul 2016, 18:39

Lindo :pokergusta:

Mas merecia uns 200cv e 30kgfm de torque pra esse porte.

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Kicksilver
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01 Ago 2016, 11:07

Bonito demais.

Mas com esse motor aí, deve levar piscada de farol de Renegade flex :hateogw:

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