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Onda de recalls chega à indústria de autopeças (Foto: Thinkstock)
A superintendência-geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu o décimo segundo processo administrativo para investigar um suposto cartel de empresas de autopeças. A prática seria internacional e teria efeitos no Brasil.
O órgão investiga 29 funcionários estrangeiros de cinco empresas: Autoliv, Takata, ZF TRW, Tokai Rika e Toyoda Gosei. Algumas destas empresas já são investigadas em outros processos administrativos do Cade, enquanto a Takata está desde o início dos anos 2000 envolvida no megarecall global de airbags que é considerado o maior recall do mundo.
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Segundo o órgão, há evidências de que as empresas, fabricantes de módulos de airbag, cintos de segurança e volantes, “fixavam preços, condições comerciais, adotando propostas de cobertura e estabelecendo conjuntamente níveis de preços e percentuais de desconto” às montadoras de veículos. A suspeita é de que essas empresas faziam acordos para dividir mercado para conquistar novas oportunidades de negócios ou para respeitar negócios já fechados por estas empresas. Essas práticas são conhecidas como sourcing e resourcing, respectivamente.
Os integrantes do órgão acreditam que os funcionários investigados compartilhavam as informações por “troca de e-mails, contatos telefônicos e reuniões presenciais, pelo menos, de 2005 a 2011”. Depois de notificados, estes acusados poderão apresentar suas defesas à superintendência do Cade, que poderá sugerir condenação ou arquivamento do caso. Na etapa seguinte, o caso deverá ser julgado pelo Tribunal Administrativo, que tomará a decisão final.
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Outras investigações
Desde 2014, o Cade abriu doze processos administrativos semelhantes a este, para apurar possíveis formações de cartéis de empresas fornecedoras de peças para carros. Por volta de 40 empresas fabricantes de velas de ignição, rolamentos, revestimentos de embreagem, sistemas térmicos (radiadores, condensadores e sistemas de ventilação, ar-condicionado e aquecimento), limpadores de para-brisas, dispositivos de segurança (cintos de segurança, airbags e volantes), amortecedores, substratos de cerâmica, peças de reposição e sistemas de exaustão são investigadas.
Além disso, em agosto de 2014 o órgão cumpriu mandados de busca e apreensão em empresas de iluminação automotiva, interruptores de emergência, mecanismos de acessp e embreagens. Estes mandados ainda podem motivar na instauração de outros processos administrativos. Sem informar mais detalhes, o Cade afirma que, além de todas estas investigações, outras estão em curso no setor de autopeças.
Fonte: http://revistaautoesporte.globo.com/Not ... pecas.html
